terça-feira, 11 de agosto de 2015

A REVOLUÇÃO DA COR


Por Adriana Scartaris

Como profissional de design vejo de perto o que o mercado define como tendência em design de interiores e arquitetura.
Vivo há pelo menos dez longos anos a “ditadura do branco e bege básico”. Nada contra ambientes claros, iluminados, cheios de branco e bem elegantes. São lindos e atemporais.  Mas será que todos, todos mesmo adoram essa proposta ou é simplesmente medo de errar?
Folheando as revistas de decoração dos últimos anos encontro inúmeras lindas propostas de ambientes, que vão do “branco mais branco” ao “branco menos branco” com toques de “bege mais bege” e “bege menos bege”. Confesso que tenho achado tudo isso muito entediante.


Em todas as primeiras reuniões que fiz com clientes nos últimos anos para tratar do conceito do projeto ouvi o mesmo pedido: Adoro tudo bem clarinho, com muito branco! Quero minha casa assim.

Como profissionais podemos criar belas propostas monocromáticas. Mas sempre a mesma proposta? Precisávamos de algo novo. Já estávamos sentindo que o fim da era glacial na decoração estava se aproximando.

Parece que a cor invadiu tudo de uma hora para outra. Vitrines dos shoppings exibem manequins vestindo misturas densas de cores vibrantes.  As bancas exibem capas de revistas de vários segmentos diferentes com cores fortes e contrastantes.
Andando pelas ruas vejo algo ainda mais surpreendente: Fachadas de residências e prédios comerciais surgem a cada dia coloridíssimas como que recriando prédios que sempre estiveram ali e nunca foram notados. Tenho visto esquinas e ruas com mais de 10 cores diferentes nas fachadas.  Um toque de rebeldia como que afirmando que agora tudo pode e quanto mais, melhor!
Que acontecerá com as propostas de design de interiores que virão daqui para frente? Teremos mais liberdade e poderemos aquecer nossos espaços e nossos corações com o calor das cores? Nossos clientes sentirão necessidade de colorir um pouco mais seus espaços? A cor veio para ficar?

Certamente é um caminho sem volta.
Devemos perdoar alguns excessos eufóricos comuns a toda revolução que abre caminho para o novo. Excessos que certamente virão em um banho de cores primárias, secundárias, complementares e outros tantos outros contrastes até ontem impensáveis.
Em pouco tempo tudo se encaixará e o equilíbrio voltará aos espaços que produziremos no dia a dia.

O que me encanta e faz feliz é sentir que estamos voltando as nossas origens de povo solar e vibrante. Somos coloridos. Essa é nossa vocação e as cores certamente nos fazem bem porque nos “trazem de volta”.
Que venham as cores!